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 Bola Quadrada    março 11, 2010
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Copa do Mundo da Itália, 1990. Após anos de fora do maior torneio de futebol do mundo, finalmente os Estados Unidos se classificam para a disputa, onde tem atuação discreta e são eliminados logo na primeira fase. Nada se podia esperar mesmo daquela união de nações tão distintas que se apresentaram sob a bandeira norte americana: salvadorenhos, uruguaios, alemães e até mesmo norte americanos se encontravam naquele selecionado que, quatro anos mais tarde, até fez uma boa presença na Copa realizava em seu próprio território, saindo da disputa apenas quando enfrentaram o Brasil, no dia de sua independência, pelas oitavas de final.

Pois um grande amigo, lá pelos anos 90, ao tomar conhecimento da classificação dos norte americanos para a Copa da Itália, profetizou:

“Eles nunca entram para perder. Se resolveram disputar o futebol para valer, em breve estarão superando até mesmo o Brasil.”

Eu achei graça daquela profecia. Estados Unidos e futebol eram coisas que, naqueles tempos, não possuíam qualquer sintonia. O 'soccer' não tinha nem campeonato na terra do Tio Sam. A Seleção era permanente, formada basicamente por estrangeiros. Precisei de quase 20 anos para começar a considerar a tal profecia possível...

Fim de primeiro tempo da decisão da Copa das Confederações 2009. O placar não estava mentindo: 2 x 0 para os norte americanos, que haviam protagonizado um bom primeiro tempo contra os maiores do mundo, os brasileiros. Dava pra recuperar? Difícil. Ali parecia destruída mais uma das poucas hegemonias brasileiras diante dos norte americanos: iriamos sucumbir naquilo que nos sempre foi inerente, natural, o futebol, assim como poucos meses antes havíamos fracassado no vôlei (olímpico), outra especialidade nossa, tanto na quadra quanto na praia, perdendo três das quatro decisões disputadas. Mas o futebol (e não o vôlei) ainda é um caso a parte em se tratando de Brasil.

Um segundo tempo soberbo (quatro gols marcados) restabeleceu a ordem natural das coisas: o Brasil virou um jogo que parecia perdido, levando mais uma vez o caneco e se tornando, também na Copa das Confederações, o maior vencedor. Méritos para a equipe de Dunga que, desta vez, mostrou força para atacar, e não apenas para contra atacar. Somando sua evolução a aparente decadência dos rivais, o Brasil periga chegar a 2010 novamente como o grande favorito, o time a ser batido, assim como 2006. A diferença se encontra na disposição operária da equipe de Dunga, bem diferente da natureza festeira da Seleção de Parreira. Dunga pode não ter uma equipe tão talentosa nas mãos (fruto de suas próprias escolhas), mas tem certamente um grupo obstinado, focado, que não desiste nunca. Em se tratando de um esporte coletivo, isso não é pouco.

E foram estes operários que mostraram aos norte americanos que o futebol brasileiro não é o que é por acaso...

Voltando ao Campeonato Brasileiro, foi um fim de semana bem morno. 'Clássicos' cheios de expectativas ficaram devendo, não é Santos, Palmeiras, Flamengo e Fluminense? Aliás, sobre o clássico do Rio de Janeiro, seria melhor jogar de novo e esquecer o que aconteceu ontem. O jogo foi chato demais. Nos outros jogos, nada demais, nada que fosse digno de comentário, a não ser a boa campanha de Vitória e Barueri e o duelo na frente de Atlético Mineiro e o (ainda) desfigurado Internacional.

Melhor deixar para a semana que vem mesmo, não é Adriano e Fred?

Considerando sua passagem atual, a saída de Thiago Neves, que agora vai para o mundo árabe, não deixará (boas) lembranças. Ficou devendo.

Os técnicos empregados receberam mais uma má notícia: Wanderley Luxemburgo está disponível. Juntando-se com Muricy, tem-se uma dupla infernal fazendo sombra a qualquer profissional empregado. A sorte destes é que o 'investimento' para se ter estes profissionais não é dos mais agradáveis...

Flamengo e Brasília fecharam a série de cinco jogos para decidir o novo campeão brasileiro de basquete pela nova liga NBB. Deu Flamengo. Parabéns ao rubro negro. Parabéns ao Brasília. E a média de mais de dez mil torcedores por jogo do Flamengo mostra que o esporte é viável, desde que se mantenham os pés no chão. É o basquete brasileiro tentando renascer.
 

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