Silvio Machado posted on julho 14, 2009 09:33
Pense no tamanho da população mundial. Deste universo, conte quantos decidiram ser pilotos. Subtraia deste montante todos aqueles que não estão na Fórmula 1. Do resultado, veja quanto são titulares na categoria. Percebeu a seletividade?
Pois é, não é fácil ser piloto de F1. Somente um grupo muito seleto, muito específico consegue chegar lá. Não há só interesses esportivos em jogo: há também enormes interesses econômicos e financeiros. Por isso, de um piloto de F1 espera-se tudo menos o erro. Sim tratam-se de seres humanos, mas destes o erro não é aceito. Não há espaço para projetos de longo prazo, aprendizado, crescimento junto com a equipe. Quem chega tem que mostrar serviço. Já! Na falta de resultados, a fila anda. Pode ser cruel, mas a realidade da categoria é essa. Quem não consegue suportar a pressão, samba.
Nelsinho Piquet é dado como carta fora do baralho. Enquanto escrevo, crescem os rumores sobre sua demissão da Renault. Nada mais óbvio e anunciado. Sendo bem observado, Nelsinho é na verdade um privilegiado, que tem durado até tempo demais na categoria. Em dois anos, o brasileiro pouco produziu e menos ainda se impôs. Falou muito em aprendizado... mas mostrou muita insegurança. Se sair dificilmente volta, já que a categoria se caracteriza principalmente por não oferecer segunda chance (Massa foi uma grata exceção, ao passar algumas temporadas como piloto de testes, após um período como titular, antes de voltar a titularidade na Ferrari). Assim foi com outros tantos talentosos e promissores brasileiros como Christian Fittipaldi, Ricardo Zonta, Enrique Bernoldi e Antonio Pizzonia. Assim sempre será.
E quanto a Rubens Barrichello, o recordista de participações na F1? É outra enorme exceção. Com um início promissor, Rubens jamais aconteceu, mas tem seus méritos. Não foram poucas as vezes em que ressurgiu após fortes rumores darem conta de seu fim na categoria. Na última vez, dado como aposentado, ressurgiu no cockpit da Brawn GP. Porém, tal qual Ronaldo, o Fenômeno, Rubens tem se especializado em falar demais. Em especial, uma capacidade de reclamar sempre de tudo e de todos. Menos dele próprio.
Pois após várias corridas realizadas, surgiram os primeiros indícios de que a Brawn realmente definiu Button como seu primeiro piloto e Rubens como segundo. Injustiça? Perseguição ao brasileiro? Sacanagem? Ora, faça me o favor. São apenas fatos! Button já venceu seis corridas este ano. Rubens ainda não venceu. Considerando a evolução da Red Bull, quem é que a Brawn deve priorizar na busca por título que parecia definido mas que começa a ficar ameaçado? Só pode ser Button. O resto é xororô (seria Rubens botafoguense?).
Ainda falando de Rubens, é verdade que ele foi prejudicado por erro da equipe no reabastecimento durante a última prova. Porém, não foi apenas isso que lhe tirou a vitória: Rubens esqueceu de comentar as mais de dez voltas em que ficou atrás de Massa quando precisava passar para abrir uma vantagem que lhe permitisse ir e voltar dos boxes ainda em primeiro. Pimenta nos dos outros...
Falando em esporte de alto nível, o nosso futebol parece querer mostrar que por aqui também não são aceitos 'aprendizados'. Sejam eles de medalhões ou de novatos. Parreira caiu no Flu. O veterano (e as vezes ultrapassado) treinador não resistiu a derrota para o Santo André. Pode se dizer que, curiosamente, o responsável pela queda de Parreira foi o jogador tricolor Wellington Monteiro, o autor do gol (contra) que decretou a vitória do adversário. Muito mais eficiente que qualquer complô. Já os novatos Wagner Mancini do Santos e Márcio Bittencourt do Náutico não resistiram as goleadas sofridas pelas suas equipes na última rodada. Márcio teve uma trajetória meteórica no Náutico. Mancini não conseguiu impôr padrão no Santos. Assim, engorda a lista de treinadores desempregados no futebol brasileiro, em uma lista que vai deixar muito treinador empregado com uma pulga atrás da orelha. Tite já está de sobreaviso. Ney Franco também. Se bobearem...
Grande abraço