
Andurra, Heinze, Sebá...
Sebá?
Bastou o terceiro nome da escalação argentina ser anunciado para que todo o clima de guerra criado por Maradona para o jogo contra o Brasil fosse por água abaixo. Sebá já havia jogado (jogou?) pelo Corinthians e mostrado aos brasileiros tudo o que sabia de futebol. Mostrou também – e principalmente – tudo o que não sabia de modo que se estava como titular da Seleção argentina, então o bicho não podia ser tão feio assim. E não era.
Brincadeiras a parte, Maradona usou todos os artifícios que tinha a seu dispor para enfrentar o Brasil. Levou o jogo para Rosário – terra de Veron, Messi e do ídolo Che Guevara – lotou o acanhado estádio local, alimentou o clássico com todas as bravatas possíveis durante a semana que antecedeu o jogo. Só esqueceu de montar uma equipe que jogasse bola, e na bola, o Brasil foi superior, bem superior, derrotando seu maior rival em seus domínios, e garantindo uma vaga para a Copa do Mundo de 2010 faltando ainda três rodadas a serem jogadas pelas Eliminatórias Sulamericanas. Enquanto o Brasil tornava-se o sétimo passageiro garantido na África do Sul, a Argentina olhava para frente e constatava que seu caminho ainda possuia alguns (e complexos) degraus.
Dunga
Já não é mais possível deixar de admitir o bom trabalho que vem sendo realizado por Dunga a frente da Seleção. Dizer se jogamos mal ou bem é um conceito que depende do que cada um considera importante em uma partida. Mas é inegável que o Brasil teve sempre o controle do jogo em Rosário. E se a Argentina chegou a ameaçar uma reação quando diminuiu a contagem, esse movimento foi logo abafado pelo terceiro gol do Brasil, um golaço por sinal. Do seu jeito, Dunga, que foi uma aposta arriscada, que diziam ser apenas um tampão para a volta de Scolari e que muitos duvidavam que chegaria até a África do Sul, montou seu grupo, o tem nas mãos e é candidatíssimo ao título em 2010. E por um preço muito menor! Isto é que é custo-benefício!
E que grupo ele formou. Kaká é digno de usar a 10 que já foi de Pelé. Luis Fabiano, se não é Romário ou o Ronaldo dos bons tempos é, atualmente, o cara! Júlio César é o melhor goleiro do mundo. Lúcio e Juan formam uma zaga de respeito e tem em Luizão um reserva a altura. Daniel Alves e Maicon são absolutos na direita, enquanto André Santos, contra todos os prognósticos, garantiu a titularidade da esquerda. No meio, há Gilberto Silva e Felipe Mello, a surpresa de Dunga, assessorados pelo sempre eficiente Elano, a teimosia de Dunga que, não menos que os outros, jogou um partidaço em Rosário. Completam o já fechado grupo de Dunga os jogadores Ramires, Júlio Batista e Robinho, que se já não é aquele de outros tempos, ainda goza de grande prestígio junto ao comandante.
Adriano? Talvez. Ronaldo? Difícil, muito difícil. Ronaldinho Gaúcho? Carta fora do baralho. Mas Diego tem que estar nessa.
Nada Como Um Dia Atrás do Outro
Quando o nome de André Santos foi cogitado pela primeira para a Seleção, estava disputava a Série B do Campeonato Brasileiro pelo Corinthians. Muita gente achou que era piada.
Há aproximadamente um ano atrás Brasil e Argentina se enfrentaram no Brasil e após o empate sem gols a cabeça de Dunga foi pedida por 11 entre 10 brasileiros. Enquanto isso a Argentina rumava em águas calmas para a classificação.
Estabelecendo Marcas
Maradona quebrou barreiras e tabus comandando do campo os jogadores argentinos. Do banco, também tem quebrado outros. Os argentinos jamais perderam em Eliminatórias como perderam para a Bolívia (6 x 1). E após a derrota para o Brasil e tendo ainda como adversários o Paraguai em Assunção e o Uruguai em Montevidéu, não são mais tão remotas as possibilidades de uma não classificação para a próxima Copa. Triste possivel façanha para o maior jogador argentino de todos os tempos.
Messi não justificou o possível rótulo de melhor do mundo. Tevez, como sempre em se tratando de Brasil, prometeu o paraíso, mas não jogou nada parecido nem com o purgatório. Milito deverá protagonizar uma conversa interessante com Júlio César quando ambos voltarem a Inter de Milão, já que duas ótimas chances do argentino foram bloqueadas por verdadeiros milagres do brasileiro.
A cordialidade dos argentinos em campo foi tanta que nem parecia se tratar de um jogo com tamanha rivalidade. Os tempos são outros.
Maracujina?
Williams já era o recordista de cartões do Brasileirão 2009 quando após mais uma demonstração de descontrole acabou sendo expulso pelo árbitro no jogo do rubro negro contra o Atlético Paranaense na Arena da Baixada. Não satisfeito com o feito, ainda deu um bico na bola após a expulsão o que deve agravar sua situação (e a do Flamengo que esperava contar com ele) para o restante do campeonato. Enquanto isso Aírton não consegue participar de uma jogada sequer sem desferir sopapos em quem quer que apareça em sua frente. Não admira que o clube esteja constantemente desfalcado destes atletas, mas impressiona que nada ainda tenha sido feito para, no mínimo, ‘orientá-los’.
Ou salário atrasado virou sinônimo de salvo conduto?
Acesso Não Tão Certo
O empate do Vasco contra o Atlético Goianiense no Serra Dourada só se consumou após duas (justas) expulsões, dois pênaltis (um desperdiçado e outro não tão pênalti assim) e um gol contra no choque entre os líderes da Segundona. Some-se a isso a derrota para o Ceará no Maracanã na rodada anterior e tem-se como resultado que o acesso a elite não está tão certo assim quanto se decantava. E se o Vasco pode tirar alguma vantagem destes resultados está no alerta que fica para o restante do campeonato.
Fundo do Poço Carioca
O Botafogo segue ladeira abaixo rumo a rabeira da classificação, apesar do futebol praticado não estar tão ruim assim. Lugar, aliás, que o Fluminense parece não querer largar de jeito nenhum, visto que nem o Náutico no Maracanã a equipe vence. Tote Menezes, o diretor de futebol do Flu que foi demitido por já estar planejando a campanha do tricolor na Segundona ano que vem, apenas parece ter se antecipado a um fato cada vez mais consumado. Triste fim para um estado tão campeão que segue a passos largos para ter apenas o Flamengo como representante na elite do futebol. E olhe lá.
G-4
Na parte de cima, o Palmeiras segue líder sob a regência de Diego Souza, Obina e Vagner Love. Mas o Inter segue na cola praticando um futebol para lá de vistoso como o apresentado na vitória sobre o Avaí, que após sair da lanterna e chegar ao G-4, estacionou. Já o São Paulo se manteve vivo em busca do tetra com a vitória sobre o Cruzeiro que... é melhor reagir enquanto é tempo.
Como o Goiás tropeçou em casa diante do Coritiba, esta parece ser a única vaga ainda em aberto no G-4. Atlético Mineiro e Corinthians ainda sonham e agradecem.