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 Bola Quadrada    maio 19, 2012
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E a Copa do Mundo está de volta! 2006 tem futebol em campos alemães. O mundo estará de olho na Alemanha e o país do futebol, como sempre, deixará todos os seus problemas de lado e acompanhará atentamente os passos dos jogadores brasileiros rumo ao hexacampeonato. Se fracassarem, deixo de assistir o torneio antes do fim, assim como fiz em 1986 e 1990. Uma atitude radical, eu sei, que acaba por impedir que alguns dos grandes momentos do esporte sejam presenciados. Foi só em 2000, por exemplo, que eu me dei conta que Alemanha e Argentina protagonizaram duas finais seguidas de Copas do Mundo, um feito curioso. Analisando as participações destas equipes em ambos os torneios, uma constatação mais curiosa ainda: a Argentina de 86 foi a Alemanha de 90 enquanto que a Alemanha de 86 foi a Argentina de 90. Não entendeu? Eu explico.

Em 1986, a Alemanha chegou a Copa em estado crítico. Não me lembro se a base de 1982 foi mantida para a Copa de 1986, mas o fato é que a Alemanha era uma seleção envelhecida, que apostava em jogadores que não estavam na melhor da forma física, como o craque Rummenigge. Na estréia, derrota para a Dinamarca. A classificação ocorreu após uma vitória magra contra a Escócia e um empate sem gols com o Uruguai. O caminho seguiu tortuoso, com vitória suada sobre Marrocos, através de um gol de falta no fim do jogo (após passar grande parte da partida no sufoco), outra vitória nos pênaltis contra o México e uma vitória mais folgada contra a também envelhecida França nas semifinais. A Alemanha enfrentaria a temida Argentina do craque da Copa, Diego Armando Maradona. Até a final, Maradona fez de tudo, carregando a Argentina até a disputa do título: dribles, golaços, polêmica e muita malícia para sucumbir ao colossal número de faltas recebidas.

 

Porém, contra todas as previsões, a final entre Alemanha e Argentina não foi um jogo fácil, de um time só. A Argentina abriu uma frente de dois gols. Até os 30 minutos do segundo tempo era este o placar. Ninguém apostaria numa recuperação alemã, mas ela veio. Aos 30 Rummenigge diminui, enquanto que Voeller empatou aos 35, diante dos incrédulos argentinos. Sorte dos argentinos que havia Maradona, que num passe magistral deixou Burruchaga em condições de marcar e selar a vitória argentina, um resultado muito justo diante do futebol praticado pelos hermanos durante toda a Copa.

Já a Copa de 1990 mostrou um quadro inverso ao de 1986. Matthaus, um principiante em 86, agora comandava uma seleção alemã aparentemente imbatível. A Argentina, envelhecida e cheia de problemas, continuava a apostar em Maradona, que não era nem sombra do craque que foi em 86. Eu saí cedo do colégio só para assistir (e vibrar!) a derrota argentina na estréia para Camarões, graças a um frango antológico de Pumpido, o goleiro argentino. Depois, nossos arqui-rivais enfrentaram a União Soviética e venceram após um jogo muito polêmico, com direito a pênalti não marcado contra a Argentina (após uma "defesa" de Maradona, impossível de não ser vista pelo juiz) e fecharam a primeira fase empatando com a Romênia e classificando-se no sufoco, a terceira força do grupo. Quis o destino que o Brasil enfrentasse a Argentina nas oitavas.

Após um jogo incrível, onde o Brasil abusou do direito de perder gols, fomos eliminados após uma jogada genial do gênio Maradona. Há uma infinidade de polêmicas que envolvem este jogo, como a água batizada dos argentinos, mas o fato é que o Brasil deu mole e Maradona levou os argentinos as quartas de final. Contra a Iugoslávia nas quartas e contra a Itália nas semifinais a Argentina não jogou futebol: baseou-se nos lampejos de Maradona e na boa atuação do goleiro Goycoechea nas cobranças de pênaltis, chegando a decisão contra a temida Alemanha, a grande favorita, a rival batida em 1986.

 

Porém, mais uma vez, como em 1986, o melhor não conseguiu se impor ao supostamente mais fraco, e a Alemanha sofreu para vencer uma Argentina limitada, mas valente, que só caiu (que ironia!) após um pênalti convertido aos 40 minutos do segundo tempo, isso depois de passar grande parte do jogo tentando levá-lo para as penalidades. Desta vez Goycoechea não conseguiu impedir a conversão da cobrança em gol e restou aos argentinos o choro pela marcação da penalidade, sintetizado na expressão de Maradona ao final da decisão. Mais uma vez o mais forte não se impôs no jogo final, mas sua vitória foi justa pelo que praticou durante o torneio todo. Só que desta vez, Argentina e Alemanha trocaram os papéis que protagonizaram na Copa de 1986.

Times semelhantes, épocas diferentes, escolas distintas de futebol. O pragmatismo alemão e a malandragem argentina dominaram o cenário mundial durante longos oito anos, ou duas Copas. Quase uma década. Momentos inesquecíveis das Copas, mesmo com a ausência do Brasil. Desde 2000 eu prometi a mim mesmo que assistiria todas as Copas até o final mesmo sem o Brasil. Mas o Brasil chegou a final em todas as Copas desde 1994. Que continue assim. Mas se sua ausência acontecer, não se engane. Momentos emocionantes não deixarão de ocorrer.

Até a próxima!

Silvio Machado

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