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 Bola Quadrada    maio 19, 2012
Artigos publicados - BolaQuadrada Minimizar
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Carlos Alberto Parreira comandou o naufrágio de uma seleção de talentos destinado ao sucesso. Ele não foi o primeiro comandante de uma carruagem que virou abóbora: Hungria , Holanda e até mesmo o Brasil já passaram por esta situação em outros tempos. O saudoso Telê Santana , hoje idolatrado e reverenciado, já amargou um período onde foi caçoado por conta de uma fama de pé frio, que veio na esteira do fracasso da super seleção que representou o Brasil na Copa da Espanha , em 1982 . O tempo se encarregou de colocar Telê no seu verdadeiro lugar: de uma pessoa que muito contribui para a evolução do futebol brasileiro . Queiram ou não, assim será com Parreira.

Levado para os quadros da Seleção Brasileira para trabalhar na preparação física em meados de 1970, Parreira assumiu o comando do Brasil pela primeira vez em algum período posterior a Copa de 1982 na Espanha. Ficou pouco tempo. Após a Copa de 1986 no México , seu nome voltou a ser ventilado, mas o acerto não foi possível devido a questões contratuais com o mundo árabe. Parreira acabou indicando Sebastião Lazaroni , que comandou a seleção na Copa de 1990 na Itália . Já para a Copa de 1994 o acerto aconteceu e Parreira comandou a Seleção que conquistou o tetracampeonato após longo jejum. Após deixar a Seleção com a conquista, foi reconduzido ao cargo para comandar a equipe na Copa de 2006 . É bom salientar que a recondução contava com amplo apoio popular.

Se a primeira passagem foi marcada pela discrição e a de 2006 pela decepção , 1994 foi marcado pela glória , pelo sucesso , pelo fim de um jejum de mais de 20 anos. Se hoje o técnico da Seleção Brasileira tem condições para trabalhar e a pressão não é exagerada, isso não era assim para quem se aventurasse no cargo antes de 1994. Após a conquista do tri em 1970 , o Brasil continuou chegando perto em 74 e 78 . Já a década de 80 marcou a passagem de uma geração talentosa que não conseguiu traduzir todo esse potencial em títulos. Mas o fundo do poço se instalou em 90, na Itália. Acreditando que o problema do Brasil seria seu jeito ‘brasileiro’ de jogar, Lazaroni apostou em um modelo europeu de jogo, criando o líbero, os alas. O Brasil buscava um modo "eficiente" de jogar, mas toda esta crença caiu cedo, nas oitavas de final, diante do maior rival, a Argentina, que era um amontoado de cacos.

Foi com esse histórico que Parreira assumiu a Seleção e a conduziu ao tetracampeonato. Foi com a pressão de um país que já não dispunha mais da hegemonia no futebol mundial - Itália e Alemanha também eram tri e a Argentina era bi – que Parreira montou seu time "eficiente", baseado em grande marcação, em pouca criatividade no meio campo, em defesa sólida e em um ataque extremamente talentoso. Hoje desdenhamos a seleção de 1994, porque, dizem, jogava feio. Mas nem mesmo estes deixam de lembrar que o Brasil de hoje é tetra também graças a essa geração de 1994. É curioso, mas qualquer enquête realizada antes de 1994, provavelmente mostraria uma vontade popular de ganhar um título mundial independente do futebol apresentado. Queríamos recuperar a hegemonia, afinal somos o país do futebol. Isso Parreira conseguiu.

Mais do que o título em si, o futebol brasileiro se reergueu após a conquista. Nas duas copas seguintes chegamos às finais, ganhando uma delas. Nossos jogadores pareceram mais leves, livres do peso de mais de duas décadas sem conquistas. O futebol brasileiro voltou a desfilar pelos gramados do mundo, transformando-se novamente em referência, ganhando respeito. Os europeus passaram a querer nos imitar e não nós a eles.

Parreira foi o comandante do naufrágio de 2006, mesmo comportando tantos talentos como o Brasil possuía. Ele contribui significativamente para o fracasso, apoiado em sua já tradicional teimosia. Mas isso não redime os jogadores de sua enorme parcela de responsabilidade, assim como não apaga as contribuições que o treinador já trouxe ao futebol brasileiro. É uma prova cabalar da falta de memória do povo brasileiro. É isso pode ficar ainda mais latente. Basta imaginar o Brasil em apuros para a classificação a Copa de 2010 , seja com Dunga , o atual treinador, ou Felipão , o preferido do momento. Quem vocês acham que o povo irá chamar? E posso apostar...

Até a próxima!

Silvio Machado

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