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 Bola Quadrada    fevereiro 6, 2012
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Não, não falo da taça Jules Rimet, perdida há décadas, transformada talvez em um simples brinco ou qualquer outra jóia por aí. Também não falo do hexacampeonato mundial, um título que escapou pelos poros da soberba que cercou nossa Seleção na última Copa do Mundo realizada na Alemanha. Estou falando da escolha da sede para a Copa do Mundo de 2014. O Brasil acaba de ser oficialmente escolhido.

 

Justa a escolha? Depende. Como o país do futebol, formador de craques em série, único penta campeão mundial, responsável por um sem número de momentos mágicos inesquecíveis, berço do atleta que é referência única e máxima deste esporte, Pelé, o Atleta do Século, como o local onde repousa o lendário, maior do mundo, o mais conhecido estádio de futebol, o Maracanã e por fim, mas não menos importante, como o país que trata o futebol como religião, como parte da família, do dia-a-dia como a incomparável torcida brasileira trata, não resta dúvidas: o Brasil merece receber o evento, e, na verdade, já merecia, já deveria ter recebido há muito tempo.

Porém, não é só isso que está em jogo. Após a escolha do país como sede fica a pergunta: temos condições de realizar uma Copa do Mundo? Temos infra-estrutura para isso?

Quem tem o Pan-Americano realizado no Rio de Janeiro neste ano como parâmetro de comparação dirá que sim, temos condições. Mas não é só este evento que nos dá esta certeza. Lembro-me também que em 1992, a realização da chamada Eco92, um evento de importância mundial que contava com a presença de representantes importantes de outras Nações do Mundo, inclusive Chefes de Estados, ocorreu aqui no Brasil sem grandes incidentes. Não houve problemas relacionados a segurança, aliás, foi uma época excelente para aproveitar o Rio de Janeiro devido ao vasto patrulhamento (‘ostensivo’ como gostam de chamar) e a sensação de segurança que o Rio exalou naquela época. Lembro-me de torcer para que houvesse uma Eco92 durante todos os anos a partir daquele.

Mas e para a Copa do Mundo? A primeira diferença é o tamanho do evento. A Copa do Mundo exige várias sedes. Atualmente não há no Brasil um único estádio que atenda as exigências da FIFA em sua totalidade. O que se viu no Pan foi uma avalanche de coisas feitas no apagar das luzes, as pressas, baseando-se em liberação extraordinária de verbas para concluir obras que a previsão sensata dizia que deveriam ser concluídas bem antes da realização do evento. Será possível fazer isso em uma Copa do Mundo? E deve ser dito que no próprio Pan, considerado um sucesso, houve eventos que não foram concluídos por falta de estrutura (a culpa, dizem foi de São Pedro e sua chuva, mas não havia um plano B que previsse uma alternativa caso isto ocorresse?) como o softbol. É bom planejar direito. De bom, a certeza de que o Brasil pode resolver (mesmo que temporariamente) a questão da segurança.

Tem mais. É justo gastar milhões para um evento esportivo considerando todas as mazelas do Brasil? É algo a se pensar. Dizem que a maioria (senão a totalidade) dos recursos virá da iniciativa privada. Dizem também que a maior herança de um evento deste porte é a melhoria em infra estrutura que o país vai receber. Tomara. Quero queimar a língua, mas ouvi isso também quando o Rio de Janeiro foi escolhido como sede do Pan e, exceto um novo e belo estádio (que pra continuar belo precisa de manutenção) e um antigo e icônico estádio remodelado, qual foi o ganho alcançado com o Pan? Ok, talvez eu seja um tanto quanto exageradamente pessimista. Mas eu não estou completamente errado.

Falando apenas em futebol, é claro, será um evento inesquecível. Só espero que ao Brasil seja reservado o Rio de Janeiro, pois seria memorável assistir aos jogos no Maracanã, até uma eventual final. Seria incrível, não? O melhor estádio do mundo recebendo a melhor seleção do planeta, no país do futebol e vencendo a Argentina.na final para conquistar o hexacampeonato, tornando-se (na verdade, mantendo-se) como a maior de todas. Nem em sonho eu poderia imaginar tamanha alegria. Agora, que os sub-17 de hoje (e prováveis atletas de 2014) me ouçam: se for para perder a Copa para Argentina que caiam antes da final. Não quero um mega sonho transformado em um giga pesadelo. Imortalizar uma derrota para eles nestas condições, um Maracanazzo argentino, é amaldiçoar eternamente os brasileiros. Tenham dó!

Até a próxima!

Silvio Machado

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