Ela não joga, não entra no campo de jogo. Por isso mesmo, ela não chuta, não marca, não participa do jogo. Não participa? Será?

Ela atua. Com certeza ela atua, mesmo sem tocar na bola. Então torcida ganha jogo? Dizer que não é tão errado quanto incompleto. Afinal, ela também perde jogo, ou, melhor dizendo, ela é um dos fatores que levam uma equipe a vitória ou a derrota.
Que o diga qualquer jogador que atua com a camisa de um clube que possui uma grande torcida, que enfrenta, que é apresentado a paixão e a ira de uma horda de fanáticos. Não há quem não se desestabilize emocionalmente ao passar 90 minutos ouvindo uma torcida hostilizar ou vaiar enquanto tenta se concentrar no que fazer. Ou o jogador treme ou se enche de brios para dar a resposta. E quando é apoiado, estimulado, motivado pela massa, não há quem não se inflame, não se sinta na obrigação, no dever, na ânsia de correr mais, de se entregar mais, de tentar mais, de buscar o gol, sempre utilizando aquele último suspiro de energia.
O Flamengo atual é um caso óbvio da força de uma torcida. De um início preocupante, o Flamengo ressurgiu das profundezas e tem dado um certo brilho a este campeonato, já decidido com cinco rodadas de antecedência. É claro que alguns jogadores foram responsáveis pelo crescimento da equipe, assim como o treinador Joel Santana. Mas não se pode desprezar a força que vem das arquibancadas. Este é o brilho. Rodada a rodada, acompanhamos curiosos as demonstrações contínuas de cumplicidade de uma torcida apaixonada que bate recorde atrás de recorde de público nas partidas do Flamengo no Maracanã. Quem desafia a hegemonia da massa, como o São Paulo no jogo que lhe deu o título, é rapidamente superado por uma nova demonstração de entrega por parte do torcedor. E isto independe de jogar bem ou mal, já que o Flamengo não tem definitivamente mostrado um futebol brilhante. O que parece, é que surgiu entre time e torcida uma espécie de pacto de entrega que tem carregado o clube rumo a classificação para a Taça Libertadores da América, algo impensável na primeira metade do campeonato. O futebol apresentado pelo Flamengo não tem técnica, mas a entrega, a busca incessante pela vitória, pela vaga na Libertadores tem encontrado eco em uma torcida que não vaia, mas que apóia e incentiva o jogo inteiro. Resultado que põe o Flamengo nas portas do céu. Mas por favor, nada de comemorar vice...

Um amigo tricolor desdenha a torcida rubro negra, dizendo se tratar apenas de quantidade e não qualidade. Mas a qualidade vem da compreensão e do comportamento que esta torcida assume na arquibancada. Uma torcida volumosa e muda não trás qualidade. O mesmo pode se dizer de uma torcida impaciente, que vaia ao descobrir que não tem um time dos sonhos, ou que este não esta conseguindo chegar aos gols desejados. Mas quando uma torcida conhece as limitações do seu time e incentiva até o fim porque compreende que só assim pode contribuir para um final feliz, não se pode negar a qualidade que a quantidade trás. Sorte do Flamengo que tem apresentado neste campeonato brasileiro uma torcida que sabe otimizar a sua função para o crescimento da equipe. Sorte de qualquer clube, como o Bahia e o Remo, que também têm.
Por isso eu pergunto de novo: torcida ganha jogo?
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O Brasil ganhou este fim de semana o mundial de futebol de praia, ou beach soccer, organizado pela FIFA. Não foi uma conquista tranqüila, como outros tantas já vencidas pelo Brasil. As disputas estão mais acirradas. Não há mais bobos também no futebol de areia, foi o que disseram a maioria dos jogadores canarinhos.
É, são as marcas registradas da era do profissionalismo que aportou nas areias. Muito tática, muita falta, poucos gols. Muita transpiração, pouca inspiração. Parece que vai ser sempre assim. Foi assim com a profissionalização do futebol de grama, do futebol de salão e agora com o futebol de areia. A irreverência que marcou o salão e partiu para as quadras de areias, parece agora decidida a partir para o futebol de rua, o chamado street soccer.
É bom curtir até que a FIFA se dê conta e o profissionalismo se encarregue de organizar (e podar) esta nova modalidade de futebol.
Até a próxima!
Silvio Machado