Silvio Machado posted on dezembro 10, 2007 16:22
Vou deixar um pouco de lado a bola que rola nos gramados para falar um pouquinho da bola que rola nas quadras. Neste fim de semana, a Super-Seleção masculina de vôlei garantiu vaga para os Jogos Olímpicos de Pequim ao arrasar a Rússia por 3 x 0 na Copa do Mundo que está sendo disputada no Japão. E o Brasil ainda pode se sagrar bicampeão deste torneio se bater os anfitriões na última rodada.

Continua, portanto, impressionante o desempenho desta Seleção, desde que se iniciou a chamada "Era Bernardinho". São incontáveis as vitórias deste grupo de jogadores que, mesmo com variações de elenco, mantém um nível de jogo espetacular. Mérito dos jogadores. Mérito da comissão técnica. Mérito de Bernardinho.
Mas até Bernardinho tem seus momentos de contestação. Há pouco, quando tomou a decisão de afastar o extra-série Ricardinho da Seleção, o treinador levantou polêmica. O mundo desabou sobre ele, e a confiança do torcedor e da imprensa, principalmente no bi-olímpico, ficou abalada. Poderíamos continuar sem o diferencial de talento de Ricardinho? Para piorar o clima, Bernardinho chamou para o lugar de Ricardinho o seu filho Bruno. Então o super comandante também era adepto do nepotismo?
Não se faz um grupo vencedor sem talento. Não se mantém um grupo vencedor sem comando. Não sei (e acho que nunca saberei ao certo) quais os motivos que levaram Bernardinho a afastar Ricardinho, mas, desde o começo, achei que ele provavelmente tinha bons motivos para fazê-lo. Bernardinho tem comandado uma Seleção que acumula sucessos atrás de sucessos. São poucas as finais que o Brasil esteve de fora. Menor ainda é o número de vezes que a Seleção não chegou ao pódio. São números arrasadores. Seria possível um homem que criou tudo isso, trocar todo o respaldo por birra?
Bruninho, o substituto de Ricardinho e filho de Bernardinho, pagou o preço de ser filho do treinador e de estar no lugar de um ídolo como Ricardinho. Quando dá entrevistas é extremamente zeloso ao falar de Ricardinho, as vezes até exagera na humildade. Seu jogo, pelo pouco que acompanhei ainda é muito tímido. Mas daí a levantar a bola de nepotismo é um grande exagero. Se fosse assim, não seria mais fácil simplesmente convocar Bruninho para o lugar de Marcelinho, o reserva de Ricardinho?
Seria. Mas comando não se mostra presente apenas nos momentos de calmaria; se faz principalmente nos momentos difíceis, onde é preciso antes de tudo coragem. Bernardinho não é louco, tomou a decisão difícil porque achou que tinha que fazê-la e ponto. Além do mais, Bruninho não é qualquer um: ainda que se possa entender uma possível tendência do treinador pelo filho, o garoto foi duas vezes eleito o melhor levantador da Superliga masculina de vôlei brasileira. Ele tem respaldo. E para deixar o torcedor mais tranqüilo e entender o conhecimento de Bernardinho, Marcelinho o atual titular, tem jogado um bolão na Copa do Mundo.
Portanto, ainda que gostemos desse ou daquele jogador, torcemos mais pelo Brasil e assim, devemos dar respaldo as decisões tomadas pelo treinador. Ainda mais quando se trata do melhor treinador do planeta, Bernardinho. Com esse espírito vencedor, e sendo botafoguense... Taí! Boa dica para o Botafogo sair dessa fase de quase tudo. Quase campeão brasileiro, estadual, da Copa do Brasil... Se bem que o Bebeto de Freitas também era super vencedor... Mas fica a sugestão mesmo assim.
Até a próxima!
Silvio Machado