Silvio Machado posted on dezembro 19, 2007 11:26
E o Corinthians caiu, levando consigo toda a minha fé de que um time chamado "grande" jamais cairia. É claro que isso já vem sendo mudado há algum tempo, pois o Corinthians não é o primeiro "grande"do Brasil que irá disputar a Série B. Outros já tiveram que trilhar este caminho. Mas o que ainda me restava de fé, garantia que o trio Flamengo - Corinthians - Vasco jamais passaria por esse calvário. Haveria sempre um meio de livrá-los do descenso. O Corinthians me fez um homem sem fé.
Eu que tantas vezes critiquei o Campeonato Brasileiro e aqueles que o organizam, agora tenho que reconhecer: a coisa tem ficado mais séria. O campeonato tem sistema definido já faz alguns anos, ainda que eu não goste deste tipo de disputa (pontos corridos). Antes, a cada campeonato, uma fórmula diferente, cada vez mais mirabolante. Mas o mais incrível é que os rebaixados têm sido realmente rebaixados, tendo que passar o ano seguinte disputando a série B. Uma baita evolução.
Na questão do rebaixamento, méritos para o Fluminense, o primeiro clube grande que realmente disputou à série B em 1998 (o espírito pioneiro do tricolor levou-o a ser o primeiro grande a disputar também a série C em 1999), depois de um bi-rebaixamento da série A em 96-97 (outro pioneirismo do tricolor, um clube realmente empreendedor!). O Grêmio, rebaixado a série B em 1991, até a disputou em 1992, mas retornou a série A em 1993 junto com outras 11 equipes. Isso não vale. Depois da "promoção" do Fluminense e do Bahia a série A em 2000 (sem disputar a série B como era devido) outros grandes também caíram, mas tiveram que mostrar méritos em campo para retornar a elite. E assim, Botafogo, Palmeiras, Atlético Mineiro e o próprio Grêmio mostraram força para renascer.
Nos meus tempos de moleque eu era incisivo quanto a este assunto: disputou, caiu tem que jogar. Regra é regra, seja o clube que for. Nada de regalias. Hoje, mais velho, penso um pouco diferente. Não quer que clube A ou B caia? Defina no regulamento. Regras claras! Pelo menos não haverá incoerência. E é muito mais íntegro do que manobrar depois ou ir para a televisão dizer isso não deveria acontecer, que time como esse não pode cair, enfim, uma série de baboseiras que só serve para denegrir a imagem de quem fala. Afinal, como pode alguém falar em moralidade, ética e depois ficar cogitando medidas que são contra as regras previamente estabelecidas? Coerência e transparência só valem para os outros?
Ainda sobre a rodada final do Campeonato Brasileiro de 2007, é digno de nota a participação dos clubes, que jogaram com seriedade. O Inter jogou para valer contra o Goiás; o Grêmio também não facilitou a vida do Corinthians. O Atlético Mineiro venceu o Palmeiras em São Paulo beneficiando o rival Cruzeiro que, ao vencer o América de Natal, garantiu vaga na Libertadores. O Fluminense, para quem fora o título não havia o que se ganhar no atual campeonato, jogou com seriedade, fez bela campanha e terminou em quarto lugar. O Vasco, este na penúltima rodada, também não aliviou para o Corinthians.
Sinais de que as teorias conspiratórias parecem não ter mais vez. Ao Corinthians, o ex-todo poderoso, resta disputar a série B em 2008 para retornar ao convívio dos grandes, se possível, em 2009, tudo dentro de campo. O planejamento tem que começar hoje se quiser ter sucesso nesta caminhada. E que o clube se mire nos exemplos de Botafogo, Fluminense, Atlético Mineiro, Grêmio e até do arqui-rival Palmeiras, de que a série B não é o fim do mundo. Há luz no fim do túnel, e as vezes é lá de baixo que se estabelecem degraus sólidos que darão firmeza a um futuro campeão.
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Paulo Bayer foi o grande nome do Goiás em 2007. Até as últimas rodadas era o que havia de lúcido nesta equipe, até que errou três cobranças penais nas últimas partidas. Quase virou o principal responsável pelo descenso. Se não fosse Élson, teria provavelmente fechado o ano como o maior destaque do Corinthians em 2007. Superaria até mesmo o goleiro Felipe. Foi por pouco!
Até a próxima.
Silvio Machado