Silvio Machado posted on outubro 01, 2008 19:28
Eu não gosto das Paraolimpíadas!
Na verdade não vejo razão na sua existência!
Esses Jogos são preconceituosos!
Paraolimpíadas não deveriam existir!
Calma! Se você chegou até aqui, não me entenda mal. Nada tenho contra os atletas (por favor, não os chamem de paratletas) deste evento, nem contra a realização das disputas. Não gosto é da segregação, da separação. As Olimpíadas e as chamadas Paraolimpíadas deveriam formar um evento único, a ser disputado sob um único nome: Jogos Olímpicos.
A bandeira olímpica representa a união de povos e raças. Os cinco anéis entrelaçados são os cinco continentes e suas cores. A paz, a amizade e o bom relacionamento entre os povos são os princípios dos Jogos Olímpicos. Diante de tal conceito, alguém pode, por favor, me explicar qual é o argumento que justifique a separação destes atletas em um evento distinto?
É claro que os atletas ditos paraolímpicos possuem algumas necessidades especiais. É claro também que a logística para alocar todos os atletas olímpicos e paraolímpicos em um mesmo local, ao mesmo tempo, deverá ser revista. Mas sempre há alternativas. E isso não é impedimento para que, ao menos, todos compitam sob uma mesmo bandeira. E mesmo que o esquema adotado até hoje permaneça, há pelo menos uma outra medida que, se adotada, irá representar uma demonstração clara da tal união simbolizada pela bandeira. Uma medida simples, fácil de ser executada, sem custo algum: a unificação do quadro de medalhas.
Qual a diferença entre o brasileiro sem necessidades especiais e com necessidades especiais que justifique quadros de medalhas separados? NENHUMA!
Criado inicialmente como uma forma de reintegração social, os Jogos Paraolímpicos foram ganhando força ao longo dos anos. Sob os conceitos mundialmente aceitos hoje (o "politicamente correto") essa visão de um evento de cunho assistencial não cabe mais. Ninguém precisa e nem quer ser visto como alguém a ser assistido. Todos querem algo melhor, conquistado com as próprias forças. Para os atletas deste evento, os Jogos representam uma competição, não um benefício. E é com esse espírito que eles encaram os Jogos. É com esse espírito que nós devemos encará-los.
Talvez eu seja um sonhador, ao imaginar um tempo em que haverá apenas um evento, onde ninguém será segregado nem por cor, sexo, raça, religião ou necessidade especial. Um tempo em que um único Comitê Organizador se responsabilizará pelos Jogos, e que as modalidades esportivas das Paraolimpíadas serão vistas apenas como modalidades esportivas, assim como os 100 metros rasos ou os 110 metros com barreira. Mas eu me dou por satisfeito com a unificação do quadro de medalhas, algo que acredito, fará com que a tal união dos povos pregada pelo símbolo olímpico ganhe realmente um sentido prático, real, não se constituindo apenas de um conjunto de belas palavras.
Até a próxima semana!
Silvio Machado