Registrar   Login 
 
 Bola Quadrada    maio 19, 2012
Artigos publicados - BolaQuadrada Minimizar
05

Esqueçam Felipe Massa, o vencedor da corrida e nem mencionem Lewis Hamilton, o campeão da temporada. Por favor, nada falem do fanfarrão David Coulthard e do eterno injustiçado Rubens Barrichello - ambos em sua última corrida - muito menos dos opostos da Renault, o (consistente) Fernando Alonso e o (instável) Nelsinho Piquet. Nenhum deles foi protagonista da espetacular corrida de Interlagos. Este posto pertence a um alemão. Sim! Alemão! Não, não é aquele. Sendo bem franco, não foi nem um, mas dois - eu disse DOIS  - os protagonistas desta histórica corrida. Ambos alemães. Pois é, quis o destino, este grande brincalhão, que o título de 2008 da Fórmula 1 fosse definido de forma emocionante por um cidadão da terra do chucrute e, para garantir a proeza, colocou logo dois no show. Interlagos 2008 foi épico, histórico. Nunca um título havia sido decidido desta maneira, na última curva do circuito, na última volta da corrida, na última prova da temporada. Timo Glock e Sebastian Vettel, os tais alemães, estão - definitivamente - eternizados na história da Fórmula 1.

Mas e Massa e Hamilton? Onde entram os dois candidatos ao título na história dessa corrida?

É, os deuses (alemães) deviam estar loucos. Bastou um ano fora do papel principal no circo da F1 – após longa hegemonia de Michael Schumacher – para que eles pusessem um alemão de volta à cena, em uma função de destaque. Pois o primeiro a se apresentar foi Sebastian Vettel que, realizador de uma excelente temporada – chegou a vencer uma corrida com sua Toro Rosso – fechou a temporada com uma pilotagem arrojada e firme, imprimindo um forte ritmo e protagonizando  um bom duelo com Massa pela ponta na parte inicial da corrida. No fim, após as necessárias trocas de pneus em função da chuva que se apresentava, não se intimidou com a McLaren de Hamilton à sua frente e fez uma ultrapassagem que, naquele momento, tirava o título das mãos do piloto inglês e o jogava no colo do piloto brasileiro. Duas voltas para o fim da prova. Quem estava assistindo foi ao delírio. As tais voltas finais foram de arrepiar. Massa cruzou a linha de chegada campeão, a torcida nas arquibancada estava em festa com a façanha do brasileiro (e de Vettel) e aguardava apenas que Vettel e Hamilton concluíssem a última curva da temporada. Foi quando então os deuses alemães resolveram ‘brincar’ novamente e Timo Glock surgiu para co-protagonizar o espetáculo.

Piloto correto, que fazia uma temporada bastante interessante, Timo Glock provavelmente não havia se imaginado como o maior personagem da temporada 2008 de Fórmula 1, posto reservado para Hamilton ou Massa e ocupado por Vettel até então. Mas uma aposta arriscada o levou até o tal posto: tentando uma cartada arrojada para se manter a frente de Hamilton e Vettel, que haviam parado para trocar os pneus secos pelos de chuva, Glock não parou e se manteve na corrida mesmo com os pneus inadequados. Bastava apenas que a chuva não apertasse para que a diferença de tempo entre ele, quarto colocado, e Vettel, quinto, fosse suficiente para levá-lo até o fim da prova na mesma posição. Mas a chuva apertou. E com ela, a Toyota de Glock se transformou em sabonete! Sem controle sobre o seu carro, Glock foi perdendo vantagem, até que, sem força para tracionar o carro em uma subida, restou a ele observar Vettel e Hamilton o ultrapassarem com folgas na última curva... o título voltava para Hamilton.

Ok! Agora diz: e a dupla Massa-Hamilton?

O primeiro fez o que dele se esperava nesta corrida. Correu com confiança, esbanjou concentração e venceu com autoridade, contando ainda com uma participação corretíssima da Ferrari. Já Hamilton... bom, sou brasileiro e posso ser considerado suspeito ao falar do rival de Massa, mas ele decepcionou. Dono de um ótimo carro e tendo uma ótima vantagem, Hamilton foi conservador demais e ao final, precisou contar com a ajuda de Glock para levar um título que era barbada. É claro que em condições normais, Glock iria parar para a troca de pneus e Hamilton voltaria a prova numa posição que, mesmo após a ultrapassagem de Vettel, o deixaria na mínima condição para sair de Interlagos com o título. Entretanto, a estratégia do alemão não deu certo por muito pouco e não é possível crer que alguém da McLaren tenha calculado com tanta precisão que a ultrapassagem sobre o combalido Glock seria viável na última curva. Portanto Hamilton deve muito ao alemão. Imaginem uma nova decepção, como a do ano anterior? Uma nova derrota após tamanha vantagem? Qual seria o futuro de Hamilton? Como estaria a cabeça de Hamilton? Seria exagero dizer que Glock ressuscitou o inglês, tirando dele o peso de um novo fracasso e colocando-o na gloriosa posição de ser o primeiro negro e o mais jovem piloto a ganhar um campeonato de Fórmula 1? Hamilton deve muito ao alemão. Quem sabe uma estátua em seu espaçoso jardim? Esses deuses alemães são uns brincalhões...

Para os brasileiros fica a ótima perspectiva para 2009. Massa tem se mostrado mais consistente, após um início preocupante. E sua reação após a prova só confirma seu amadurecimento. Mas que ele não se iluda. A boa temporada e os elogios da equipe não garantem mais do que uma temporada de expectativas. 2009 começa do zero e a nova disputa não será só contra Hamilton, mas também, pelo menos, contra Alonso e Haikkonen, todos campeões mundiais. A pressão mudou de lado. Ela está agora com o piloto brasileiro. E a Fórmula 1 não costuma ser muito paciente. Se o título não vier em 2009...

Até a próxima semana!

Silvio Machado

Post Rating

Comments

There are currently no comments, be the first to post one.

Post Comment

Apenas usuários cadastrados podem postar comentários.
 
 Copyright 2003-2010 - Ronaldo Cesar   Termos de Uso  Privacidade