Nestes muitos anos de estrada na área de Informática eu já vi "de tudo um pouco" (olha o jabá aí gente!). Vi gigantes sumirem do mercado num piscar de olhos, pequenas empresas transformarem-se em multinacionais, promessas de tecnologias que revolucionariam o mundo e que nunca passaram de promessas, a promessa de "um" grande sistema operacional transformar-se em uma gama de dialetos muitas vezes incomunicáveis entre si, enfim, lá se vai muito tempo...
No primeiro exemplo do parágrafo anterior, não me sai da mente as palavras proferidas pelo presidente da Netscape lá pelos idos de 1995: “a Microsoft perdeu o trem da internet”. Naquela época a empresa por ele comandada, tinha o navegador mais usado no mundo e o controle do potencial mercado que surgia à frente. O que ele diria hoje? Tudo bem que, de fato, o Internet Explorer só se alavancou mesmo em função de já estar embutido no sistema operacional Windows. Não era mais cômodo usá-lo?
O fato é que a Microsoft foi crescendo juntamente com o crescimento do ódio daqueles que viam nela o “menino mal” do mercado, personificado na figura de Bill Gates. A única pergunta que eu sempre me faço é: se estas pessoas estivessem no lugar do Bill Gates, será que elas fariam algo diferente pelo seu negócio? Sinceramente, acredito que não! O fato é que o mercado foi dividido entre os que amam e os que odeiam a Microsoft. E a turma que odeia é grande e barulhenta.
Apesar de ter uma posição pessoal bem conhecida pelos mais próximos, não quero tomar partido e ficar defendendo "A" ou "B". Quero apenas dizer que os tempos mudaram juntamente com as políticas de muitas empresas. E a Microsoft não ficou parada no tempo! Talvez pela necessidade de adaptar-se às novas realidades. Talvez pela necessidade de não perder dinheiro com a diminuição da sua participação no mercado. O fato é que ela mudou e muita gente não sabe disso.
Um dia desses, conversando com um amigo de trabalho que é um “verdadeiro escovador de bits”, fiquei surpreso com a sua reação ao saber que o Microsoft Visual C# 2008 Express Edition era gratuito. Gratuito? Como assim? Não é da Microsoft? Amante e “heavy user” do sistema operacional Linux, ele nem sequer olhava para produtos Microsoft. Não por não gostar ou estar fechado à mesma, mas sim, por ter aquele velho conceito de que tudo, simplesmente tudo, é pago em se tratando de Microsoft. É claro que não deixei passar a oportunidade! Falei sobre as mudanças nas políticas da Microsoft, das benesses advindas disso, da política agressiva de disseminação da plataforma .Net e, principalmente, da qualidade dos produtos. Quem conheceu o Microsoft Visual Studio antes da versão 2005 e nunca mais trabalhou com a ferramenta, não sabe da sua notória evolução. Se levarmos em consideração o Microsoft Visual Studio 2008, o salto qualitativo é muito maior. Quem associa o Visual Studio somente ao Visual Basic, não teve o prazer de conhecer o C#; linguagem criada junto com a arquitetura .Net.
Depois de um bom papo, que não dá para ser transcrito em um artigo, o meu amigo foi ao site oficial da Microsoft e fez o download do Microsoft Visual Studio 2008. Já no dia seguinte eu ouvi o primeiro elogio vindo de alguém muito técnico e extremamente cético em relação à Microsoft: “Gostei muito do ambiente de desenvolvimento! É muito bom mesmo! Já estou brincando com o C#!”.
Pode parecer besteira mas, para mim, foi ótimo ver alguém que nem sequer pensava em Microsoft, verdadeiramente entusiasmado com os horizontes oferecidos com a nova ferramenta. E não pensem os senhores que eu estou aqui para fazer propaganda da Microsoft! Como já disse ao iniciar este artigo, com tantos anos de estrada eu já vi “de tudo um pouco” (olha o jabá de novo!). Do Turbo Pascal, passando pelo Clipper, é claro, até o Eclipse, tudo já foi usado. Contudo, o melhor nível de desenvolvimento, produtividade, trabalho em equipe, integração e possibilidade de uso pesado de orientação a objeto, eu alcancei com o uso do C#.
E por que tudo isso foi colocado aqui? Porque nesta coluna trataremos exclusivamente da plataforma .Net e os nossos exemplos serão, em sua grande maioria, escritos em C#. Assim, como focaremos os resultados, será mais produtivo se você tiver na sua máquina o ambiente para reproduzir os exemplos e testar suas próprias implementações. Ainda mais sabendo que não há custo para isso. Portanto, não perca tempo! Visite o site oficial da Microsoft, baixe o Microsoft Visual Studio 2008 e seja mais um a divulgar esta boa nova.
Acabaram as novidades? Não! Até aqui eu só falei do Microsoft Visual Studio. Contudo, ao visitar o site para download do produto, você verá que também está disponível, para download gratuito, o SQL Server Express 2008. Isso mesmo! O SQL Server também tem uma versão gratuita e totalmente funcional! Das poucas restrições existentes em relação à versão comercial, deve-se destacar que o tamanho máximo permitido para uma base de dados no SQL Server Express é de 4GB. Se lhe parece pouco, saiba que não é! A capacidade de 4GB comporta facilmente todo o volume de dados existente em muitos bancos de dados de pequenos e médios negócios espalhados mundo a fora.
No meu site pessoal eu fiz uma apresentação mais formal do C#. Se você puder, dê uma lida no artigo.
Para encerrar este primeiro artigo, e importante ressaltar que as “novidades” aqui apresentadas só são novidades de fato para pessoas que, como o meu amigo, não sabiam deste novo cenário. Para muitos outros, porém, não há nada de novo aqui e este cenário já é conhecido e explorado há muito tempo.
Até breve!