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 Design    março 19, 2010
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Antes de começar a coluna, peço desculpas pela minha longa ausência. Minha vida anda mais tortuosa que “curva francesa”. Desculpas apresentadas, vamos ao tema de discussão: O Design universal.

Ao contrário do que muita gente vai pensar, o conceito de design universal não é relacionado em nada com um design perfeito, muito menos a um design “evangélico”. Brincadeiras à parte, design universal não tem nada de engraçado e foi difundido no Seminário Internacional de Design de 2000 no Canadá. 

Ele visa o desenvolvimento de produtos que sejam voltados para um público com necessidades especiais ou que possam ser abrangidos por estes. Ou seja, pensar na pessoa que possui necessidades específicas como um usuário ou um potencial consumidor e não como um grupo que precisa de ajuda de “profissionais de saúde especializados”.

O estudo nesta área, por nós designers, é muito negligenciado. Infelizmente, o status de “artista vanguardista” tem muito mais visibilidade do que de um profissional que esteja realmente preocupado em ser útil para a sociedade, e não apenas produzir projetos “estilosos”.

Hoje temos uma inclusão hipócrita. Um processo de pseudo-acessibilidade bancado por leis federais que simplesmente vislumbram certos tipos de deficiências e que tratam o tema com uma superficialidade absurda. Mais uma vez o status é o mais importante, tendo em vista que a preocupação com o “politicamente correto” entrou em voga simplesmente por ter uma conotação positiva com o grande público.

A inclusão de pessoas com necessidades especiais é um mercado extremamente deficitário e solícito de profissionais que estejam realmente interessados em se engajar. É um campo extremamente duro porque vemos que muitas vezes projetos que tanto valorizamos são extremamente fulgazes perto do que realmente a sociedade precisa.

Escrevo isso com conhecimento de causa. Desde os tempos de faculdade sempre tentei aplicar meus conhecimentos de design em projetos que sejam relevantes para a sociedade. Afinal de contas, minha faculdade foi paga por esta sociedade que esperava de mim um retorno, mesmo que fosse mínimo.

Não entrava na minha cabeça me formar com um projeto de cadeira de praia ou um sistema de identidade visual. Seria o único projeto, talvez em toda a minha vida, em que eu desenvolveria aquilo que eu achava válido e poderia me dedicar por completo a ele.

Acabei me voltando para crianças com Encefalopatia Crônica Infantil (vulgo Paralisia Cerebral). Depois de quase dois anos dentro de um hospital descobri que o designer possuía uma gama infindável de projetos que poderiam dar um pouco mais de cidadania a estas pessoas. A necessidade era tão grande que o simples fato de estarmos ali era a renovação da esperança de pais, profissionais e crianças que precisam de nós e que estão totalmente esquecidas. 
 
Desenvolvemos uma cadeira postural para estas crianças que, na maioria das vezes nunca tiveram um horizonte maior que a cama nas quais elas estavam encostadas. Entregamos o projeto aos nossos governantes, queríamos apenas que ele fosse produzido, mas a sujeira da nossa política fez com que um projeto promissor se tornasse inviável.

Depois disso, acabei entrando no mercado de trabalho e me afastei daquilo que acho realmente válido: o designer como ser contribuinte para a sociedade e não como um criador de futilidades. Por sinal, este é um dos principais problemas do designer na atualidade, mas isso fica para a próxima coluna....

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